Métodos de Custeio: por Absorção, Variável, ABC e UEP

Os métodos de custeio possuem vantagens e desvantagens, competências e limitações, cabendo às empresas a escolha daquele que melhor se adapta ao atendimento de suas necessidades e as particularidades de seus negócios.

Custeio por Absorção

No custeio por absorção (também conhecido como custeio/custo “integral”, “total” e “pleno”), todos os custos de produção são alocados aos bens produzidos ou serviços prestados, compreendendo os custos fixos, variáveis, diretos e indiretos.

O Custeio por Absorção tem como características:

  • Englobar custos fixos, variáveis, diretos e indiretos;
  • Necessitar de critérios de rateios, no caso de apropriação dos custos indiretos (gastos gerais de produção) quando houver mais de um produto ou serviço prestado;
  • Por ser o método derivado da aplicação dos Princípios Fundamentais da Contabilidade é o critério legal exigido no Brasil;
  • Os resultados apresentados são influenciados pelo volume da produção;
  • Não identificar a margem de contribuição (diferença entre o preço de venda e o custo do produto);
  • Estabelecer o custo total unitário do produto/serviço;
  • Indicado para decisões realizadas a longo prazo.

O Custeio por Absorção deve ser usado quando a empresa busca o uso do sistema de custos integrado à contabilidade. É válido tanto para fins de Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados como também, na maioria dos países, para Balanço e Lucro Fiscais.

Algumas outras vantagens do Custeio por Absorção:

  • Atender à legislação fiscal, permitido pela legislação brasileira;
  • Permitir a apuração do custo por centro de custos, visto que sua aplicação exige a organização contábil. Assim, quando os custos forem alocados aos departamentos de forma adequada torna-se possível acompanhar o desempenho de cada área;
  • Ao absorver todos os custos de produção, permite a apuração do custo total de cada produto;
  • Ser aceito pelo Imposto de Renda do Brasil, utilizado na contabilidade financeira e auditorias externas, por atender aos princípios contábeis.

Como desvantagem tem-se a utilização dos rateios para distribuir os custos entre os departamentos e/ou produtos, uma vez que nem sempre tais critérios são claros e objetivos, podendo distorcer os resultados, penalizando alguns produtos e beneficiando outros e mascarando problemas, como ineficiências e desperdícios produtivos.

Custeio Variável

No Custeio Variável somente são apropriados como custos de fabricação os custos variáveis, diretos e indiretos. Os custos fixos, pelo fato de existirem mesmo que não haja produção, não são considerados como custo de produção e sim como despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do período.

O Custeio Variável tem como características:

  • Englobar custos variáveis diretos e indiretos;
  • Não necessitar de critérios de rateios. Os custos fixos são considerados como despesa e não como custo do produto;
  • Os resultados apresentados são influenciados pelo volume de vendas;
  • Identificar a margem de contribuição unitária e global;
  • Estabelecer o custo parcial unitário do produto/serviço, uma vez que considera os custos variáveis;
  • Indicado para decisões realizadas a curto prazo.

As vantagens proporcionadas pelo custeio variável são basicamente com relação à produção de informações para as tomadas de decisão (por exemplo, quais produtos, linhas de produtos, áreas, clientes, segmentos são mais lucrativos, etc).

Algumas outras vantagens do Custeio Variável:

  • Apresentar de imediato a margem de contribuição;
  • Mensurar de forma objetiva os custos dos produtos, uma vez que estes não sofrerão processos arbitrários/subjetivos de distribuição dos custos comuns;
  • Lucro líquido não ser afetado em decorrência do aumento/diminuição de inventários;
  • Totalmente integrado ao custo padrão e o orçamento flexível, possibilita o correto controle de custos.

O Custeio Variável tem como desvantagem o fato das informações não serem apropriadas para decisões a longo prazo. Além disso, os resultados do custeio variável não são aceitos para a preparação de demonstrações contábeis de uso externo.

Custeio ABC

Diferentemente dos custeios por absorção e variável que distribuem os custos diretamente aos produtos, o Custeio ABC rastreia as atividades relevantes do processo produtivo, aloca os custos às atividades para então distribuí-los aos produtos.

No Custeio ABC, os recursos de uma organização são consumidos por suas atividades e não pelos produtos que elas fabricam. Desta forma, todas as atividades devem receber parte dos custos. Uma atividade é uma ação que utiliza recursos humanos, financeiros, tecnológicos, de materiais, entre outros, para que bens sejam produzidos e serviços prestados. Compreende todos os sacrifícios de recursos necessários para desempenhá-la. Deve incluir salários com os respectivos encargos sociais, materiais, depreciação, energia, uso de instalações, dentre outros.

Algumas vantagens do Custeio ABC:

  • Atender aos Princípios Fundamentais da Contabilidade (similar ao custeio por absorção);
  • Identificar os custos de cada atividade em relação aos custos totais da organização;
  • Identificar os produtos e clientes mais lucrativos, além de oportunidades para eliminar desperdícios e aperfeiçoar atividades;
  • Proporcionar melhor visualização dos fluxos dos processos;
  • Melhorar as decisões gerenciais através de informações mais transparentes sobre os recursos consumidos pelas atividades;
  • Permitir a apuração dos custos da não-qualidade.

Talvez uma das maiores desvantagens do Custeio ABC seja o custo elevado em decorrência do alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados. Estes controles demandam tempo e trabalho, envolvendo implantação, permanência e revisão constante das informações. É um custeio que envolve muitas informações, por vezes difíceis de serem obtidas. Muitas vezes, o envolvimento, o comprometimento e a própria capacitação dos empregados também apresenta-se como um grande obstáculo.

Algumas outras desvantagens do Custeio ABC:

Necessitar de reorganização, reformulação e padronização de processos antes de sua implantação;

  • Apresentar dificuldade na integração das informações entre áreas/departamentos;
  • Gerar informações confiáveis somente a longo prazo;
  • Possuir um controle dificultado nas empresas que possuem grande número de atividades.

Custeio UEP

O Custeio UEP cria uma unidade – não monetária – para medir uma produção diversificada. Este método de custeio simplifica a atividade de medição da produção, fazendo com que produtos diferentes sejam contabilizados por um único parâmetro, permitindo que se tenha um valor global e sintético das atividades da empresa.

Através do Custeio UEP, e de uma medida única que torna mais fácil os cálculos e controles, é possível analisar custos, capacidade produtiva, rentabilidade, ociosidade de máquinas e equipamentos, entre outros. Pode-se, por exemplo, comparar a capacidade produtiva diária, semanal ou mensal de máquinas, áreas e até mesmo de toda a empresa em diferentes períodos, pois esta medida única independe do tempo, de aspectos econômicos como inflação/deflação, entre outros.

Algumas vantagens do Custeio UEP:

  • Apresentar informações mais claras e precisas sobre produtos, como custos, prejuízos, lucros, etc;
  • Permitir a identificação da capacidade de produção, inclusive dos possíveis gargalos, facilitando decisões como o lançamento de um novo produto, o investimento em máquinas/equipamentos, entre outros;
  • Propiciar um melhor planejamento do mix de produtos a fim de maximizar a produção;
  • Apurar os custos de transformação da produção permitindo reduzir as distorções na alocação destes custos;
  • Proporcionar aumento das vendas em decorrência das informações sobre quanto pode ser produzido em cada área, evitando capacidades ociosas e reduzindo custos;

O Custeio UEP tem como desvantagem sua aplicação limitada à produção. O método não efetua o controle de perdas e/ou desperdícios. Também não considera as despesas administrativas (estruturais), mas somente àquelas relacionadas ao processo produtivo. Em uma empresa, onde são aplicadas melhorias contínuas e, portanto, mudanças nos processos de produção, são necessárias revisões nos cálculos do custeio, tornando-o, muitas vezes, inviável.

Pode-se dizer que não existe exatamente um melhor método de custeio, pois cada um, a seu modo, atende necessidades diferentes, e igualmente importantes, nas empresas. As informações geradas pelos métodos são, portanto, complementares. Se considerarmos, por exemplo, o Custeio por Absorção, a empresa está atendendo os Princípios Fundamentais da Contabilidade e a legislação fiscal, podendo inclusive utilizar na elaboração dos demonstrativos contábeis externos. Já pelo Custeio Variável, a empresa dispõe de informações importantes que auxiliam nas tomadas de decisão, além da margem de contribuição. O Custeio ABC permite a visualização das atividades de forma que sejam melhoradas, reestruturadas ou, dependendo do caso, eliminadas no intuito de aumentar o desempenho competitivo da empresa. O Custeio UEP, método que se limita ao ambiente industrial, propõe facilitar a medição da produção, fazendo com que produtos diferentes sejam contabilizados por um único parâmetro.

Fonte: WK Sistemas